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Alimentação inadequada eleva incidência de câncer de estômago

Nesta sexta-feira, 31 de março, é comemorado o Dia Nacional da Saúde e Nutrição, e o Hospital Ophir Loyola chama a atenção da população sobre a importância da boa alimentação para a manutenção da saúde e a prevenção do câncer de estômago, a segunda neoplasia mais tratada na instituição, o segundo tipo mais incidente em homens e o terceiro, em mulheres.

O cirurgião Oncológico Alessandro França explica que a doença é considerada um problema de saúde pública mundial e no Pará tem forte ligação com o padrão alimentar: uma dieta pouco nutritiva que favorece certas condições associadas ao câncer gástrico como, por exemplo, o elevado consumo de sal.

“Geralmente, o câncer de estômago tem uma causa ambiental, então a alimentação é uma das principais causas da maior incidência no estado. Antigamente, devido à falta de refrigeradores, as pessoas acabavam consumindo alimentos salgados, hábito ainda muito comum nas regiões de pesca, onde os pescadores passam muito tempo em alto-mar e levam os alimentos conservados em sal, aumentando o risco de desenvolver esse tipo de cancro”, informou.

Este foi o caso do caseiro Domingos dos Anjos, que aos 64 anos, devido ao câncer gástrico, passou por uma cirurgia de remoção total do estômago no Hospital Ophir Loyola, em Belém. Em fase de recuperação, ele passa por um processo de readaptação na alimentação. Casado e pai de cinco filhos, ele recorda o estilo de vida que levava na Vila da Páscoa, localizada próximo ao município de São Caetano de Odivelas, e que contribuiu para a formação da doença.

Foi na pequena vila que ele passou boa parte da vida, do nascimento, em 1952, até o ano de 1988. Fumou dos 18 aos 41 anos e trabalhou com a plantação de mandioca para a produção de farinha, que era servida com o peixe ou carne, conservados apenas em sal. Apesar de viver na zona rural, o cardápio pouco trazia verduras e legumes. Já o chibé – papa de farinha com água muito consumida no interior da Amazônia – com a “mistura salgada”, sempre esteve presente à mesa.

Campanhas

A importância da alimentação balanceada desde a infância é abordada em campanhas de educação alimentar, mas pouco praticada pela população. Segundo o especialista, o padrão alimentar do paraense se baseia mais na proteína salgada, na mandioca, nos carboidratos e na ingestão deficiente de vitaminas como A e C, havendo exclusão das fibras, verduras, legumes e frutas frescas, que protegem da ação dos alimentos que promovem o câncer de estômago.

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O cirurgião Oncológico Alessandro França explica que a doença é considerada um problema de saúde pública mundial e no Pará tem forte ligação com o padrão alimentar.

“Ocorre mais o consumo das nitrosaminas, substâncias que promovem a mutação genética para o desenvolvimento da neoplasia. A mistura do açaí com charque, camarão ou frituras agrada o paladar dos paraenses, principalmente daqueles que residem no interior. A falta de uma variedade alimentícia contribui na formação do câncer ”, destacou.

Este ano 690 pessoas devem desenvolver a doença no estado – 460 no sexo masculino (taxa bruta 11,38 por 100 mil habitantes) e 230 no sexo feminino (taxa bruta 5,85 por 100 mil habitantes).

O diagnóstico é feito pela endoscopia digestiva simples. O difícil é a pessoa identificar que aquele sintoma seja ocasionado pelo câncer ou não. Na fase inicial, pode ser confundido com outras doenças, como gastrite ou uma indisposição gástrica e o indivíduo acaba se automedicando ou fazendo uso de chás, medidas que aliviam, mas não curam e retardam o diagnóstico.

“A doença é agressiva e quando apresenta sintomas mais agudos já está bem avançada e o tratamento fica muito mais difícil. O índice de cura ainda é baixo devido ao diagnóstico tardio, geralmente a sobrevida, estimada em cinco anos, varia de 20 a 30%”, alerta Alessandro França.

Os tumores gástricos se desenvolvem a partir de lesões da mucosa gástrica, originadas pela ação de diferentes fatores de risco, como alto consumo de alimentos conservados em sal, defumados, enlatados, com corantes e tabagismo. Para a prevenir a enfermidade é necessária uma mudança no estilo de vida, como a supressão do fumo, manutenção do peso corporal, alimentação saudável e melhorias no saneamento básico.

A ocorrência do câncer de estômago é duas ou três vezes maior em países em desenvolvimento, com médio ou baixo Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), bem como alta prevalência de infecção pela H. pylori (Helicobacter pilori). Essa bactéria presente nos alimentos e água potável aumenta cerca de seis vezes a incidência. A infecção a longo prazo pela H. Pylori pode causar o câncer de estômago, mas não são todos os subtipos da bactéria.

“Essa bactéria é o principal agente isolado para a formação desse tipo de câncer. É uma infecção muito prevalente no Brasil e no mundo, mais de 50% da população mundial é infectada pela Helicobacter pilori, que é adquirida na infância e persiste ao longo da vida. Ela causa gastrite crônica, que, sem tratamento, evolui para gastrite atrófica e evolui lentamente até se tornar um câncer”, afirma o cirurgião oncológico.

Alimentação balanceada é fundamental para a prevenção do câncer

Segundo o Ministério da Saúde, apenas um em cada três brasileiros adultos, aproximadamente, consome frutas legumes e verduras regularmente, em cinco ou mais dias da semana. A alimentação e a nutrição inadequadas são responsáveis por até 20% dos casos de câncer nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e por aproximadamente 35% das mortes por câncer.

17492724_1502876346391648_5709586654451813185_oA nutricionista Jucicleide Farias, do Hospital Ophir Loyola, esclarece que as escolhas alimentares podem proteger ou não do risco de desenvolver o câncer. Os profissionais verificam, “in loco”, que o padrão alimentar mantido pelos pacientes neoplásicos é muito seletivo, sobretudo daqueles que residem no interior.

“Eles consomem muitos carboidratos simples, pouco ou raramente fontes de vitaminas, minerais, licopenos e boas fontes de gordura. Apesar de habitarem locais ricos em muitos frutos regionais e vegetais reconhecidos como benéficos para a saúde, como a castanha-do-pará, pupunha, cariru; apresentam um baixo consumo, não só desses vegetais, mas de todos os outros”, analisou.

Segundo a nutricionista, a ingestão irregular de vegetais enfraquece as defesas do organismo. “Isso faz com que o consumo de vitaminas e sais minerais seja deficitário e não podemos esquecer da função que exercem como reguladores das funções orgânicas”, afirmou Jucicleide Farias.

A manutenção de uma alimentação saudável ajuda a prevenir diversas morbidades, desde a diabetes e obesidade até a instalação de uma neoplasia maligna. “Em especial, em relação ao câncer, é essencial manter uma dieta rica em nutrientes como vitaminas, minerais e fibras, essas substâncias são reconhecidas em estudos científicos e bibliografias como protetoras da estrutura celular e, portanto, do metabolismo”, ressalta.

Deve-se evitar salgar os alimentos com o conhecido sal de cozinha (cloreto de sódio) ou qualquer composto rico em sódio, como os temperos industrializados, que têm um forte componente desse elemento químico e pobreza ou nenhuma quantidade de iodo na composição.

A nutricionista também orienta não expor as proteínas animais (carne, peixe e frango) às altas temperaturas. As preparações em brasa ou naquele ponto de fumaça são responsáveis pela formação de substâncias cientificamente comprovadas como pré-cancerígenas, por afetarem a formação normal das células. “O alimento quando passa do ponto de fumaça, seja parcialmente frito, fritura ou imersão, já sofre reações químicas que promovem a formação dos compostos cancerígenos, por isso a reutilização do óleo não é recomendada”, explicou.

Por Leila Cruz

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Um comentário

  1. oi gente
    gostei muito desse site, parabéns pelo trabalho. ;)

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